O luxo quer "imitar" o popular

A discussão do momento na moda: a Ikea ter embarcado na ideia e respondido a Balenciaga por sua "cópia" da icônica bolsa de compras de plástico azul numa versão luxuosa de couro que não sai por menos de quatro dígitos aqui na Europa. O responsável pela polêmica do momento é Demna Gvasalia, diretor criativo da Balenciaga que já no coletivo de moda Vetements causou furor com as camisetas amarelas com o logo da DHL pelo módico preço de 120 euros.    

 

 A direita a bolsa da Balenciaga e a esquerda a resposta da Ikea "Como identificar a bolsa Ikea FRAKTA oficial"

 

Não é a primeira vez que marcas de luxo lançam designs inspirados em ícones populares: no ano passado a própria Balenciaga lançou uma coleção de bolsas inspiradas nas sacolas dos mercados de rua de Taiwan (pra nós brasileiros, aquela boa e velha bolsa pra encarar a 25 de março ou uma excursão pro Paraguai, sabe?). Esse tema foi também inspiração da Louis Vuitton para uma coleção parecida em 2007. E o que dizer das criações pop de Jeremy Scott para a Moschino com embalagens de produtos de limpeza e logos do McDonald's em capas de celular e moletons?

 

Camiseta DHL Vetements / Reprodução 

 

Talvez essa tendência seja uma espécie de manifesto irônico do mercado da moda que auto critica esse seu status, mas também mostra que não abre mão do mesmo. Se voltarmos a atenção para o consumo, os produtos citados foram na maioria um sucesso de vendas. É o popular que, quando reinventado e com um outro significado, agora é aceito como símbolo de luxo.

 

O fato de um produto popular ser apropriado por uma marca e ganhar uma versão de luxo é algo bom ou ruim? O que tudo isso diz sobre como consumimos e como a moda tem um papel de peso no status social? Esse é só mais um exemplo de como a moda reflete de maneira forte tendências de comportamento social e influência o mesmo dentro de diversos contextos. 

Coleção McDonald's criada por Jeremy Scott para Moschino

 

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