As lições que (re)aprendemos com a Cerimônia de Abertura das Olimpíadas!

9 Aug 2016

 

Elogiada sem excessão mundo a fora, a cerimônia de abertura da última sexta-feira foi emocionante e reascendeu na gente aquele orgulho de dizer sou brasileiro. Visualmente impecável e bem organizada, a festa comandada por Fernando Meirelles, soube resumir e traduzir de forma muito verdadeira elementos importantíssimos da nossa cultura. O diretor de Cidade de Deus (2002) e Ensaio sobre a Cegueira (2008) deixou bem claro em um tweet suas intenções e colocou as redes sociais em chamas na expectativa do espetáculo que estava por vir. 

 

Por conta do fuso (pra gente a coisa começou a 1h da manhã por aqui…) nós acabamos assistindo tudo só no domingo a tarde, mas rapidamente, além de todo o calor no coração (#issoébrasil), já ligamos nossos radares para os assuntos ULTRA importantes apresentados de maneira lúdica e artística no campo do Maracanã - é pra isso que serve a cultura : ) - e que conversam diretamente com sua marca, mas você provavelmente ainda não tinha se dado conta. Então repassa com a gente!

 

 

 

Sustentabilidade é PRA ONTEM:

 

Essa questão já é antiga, mas parece que ninguém tem se preocupado muito com ela, principalmente o governo que vira e mexe autoriza desmatamento em áreas protegidas e faz vistas grossas a desastres como o de Mariana. Na cerimônia esse tema veio com tudo: com as incríveis e bem definidas projeções 3D vimos, mais uma vez, como o aumento do nível do mar tem se elevado em todo planeta e como o aumento de 1 grau na temperatura terrestre significa um verdadeiro desastre pra todos nós. Numa ação inédita, todos os atletas participantes semearam uma muda de árvore que será depois transformada na Floresta dos Atletas, no Rio de Janeiro. E na hora de apresentar os anéis olímpicos pela primeira vez na história estavam todos em verde e formados por árvores.

 

Foto: Olympics.org

 

Como isso afeta o meu negócio? 

Não teve aquele ano em que todo seu estoque de inverno ficou encalhado porque o frio não veio? Com certeza a culpa não foi de São Pedro… Quais as ações da sua empresa para tentar criar o menor impacto possível na natureza? Tornar o desperdício de materiais uma boa prática fazendo reuso dos mesmos, estimular o consumo consciente e usar matéria prima que você sabe de onde veio, são outros dois pontos básicos para você começar a trilhar esse caminho e tornar sua marca verde.   

 

 

Os velhos preconceitos….combata eles!

 

Em nenhuma outro momento a história de formação do nosso país foi contada de maneira tão real: índios, exploração, negros e os imigrantes. Essa é a origem do Brasil e esses personagens são o nosso DNA. A escravidão é uma mancha séria em nossa história, por mais de 400 anos foram os negros que movimentaram nossa economia, mas com mão de obra escrava. E se hoje a escravidão não existe mais na lei, quando viramos os olhos e fingimos não ver o preconceito que ainda permeia nossas relações, estimulamos a cultura da escravidão. O espaço que a favela teve na apresentação, seja no cenário e na música, mostra que isso já não é mais cultura só do Rio de Janeiro, mas como esses espaços são hoje o lugar mais representativo cultural, social e economicamente no Brasil inteiro.  

 

Foto: Olympics.org

 

O que minha marca tem a ver com isso?

A sua marca se envolve e combate atitudes racistas? Se algum cliente um dia se recusou a ser atendido por um funcionário não branco como você agiu? A sua empresa participa de algum programa para estimular a inclusão de refugiados e imigrantes no mercado de trabalho? Vamos deixar as perguntas no ar para você pensar. 

 

 

Empoderamento feminino e igualdade de gênero. 

 

A maior parte das estrelas pop da festa era mulher: teve Anitta brilhando ao lado de Caetano e Gil, Gisele Bündchen, Elza Soares, Mc Sofia, Carol Konka e Ludmilla cantaram o som do morro e da mulher negra. E ainda teve Fernanda Montenegro e Judi Dench que foram primorosas em suas interpretações do poema “Flor de Náusea” de Carlos Drummond de Andrade. Na entrada das equipes, a Arábia Saudita pela primeira vez trouxe as mulheres, ainda que poucas, a frente de sua delegação. E não suficiente mas lacrando, a modelo transexual Lea T veio apresentando a delegação brasileira trazendo o movimento LGBT com força pra cerimônia.

 

Foto: Reprodução/Twitter

 

Foto: Olympics.org

 

 

Mas meu público é feminino, já estou do lado delas. Tem certeza?

A valorização da mulher e a igualdade de gênero estão muitas vezes em pequenas atitudes que sua marca e empresa podem adotar. Se eventualmente ou com alguma frequência (nãaaaaao) você faz publicidade e usa a imagem de uma mulher com cara sensual e uma roupa bem justa e decotada, um ponto (ou muitos) a menos pra sua marca. Volte muitas casas se quando sua funcionária chega e diz que está grávida o seu primeiro pensamento é “ah que ótimo! como vou fazer quando ela sair de licença maternidade?” E pra deixar uma última pergunta: mulheres e homens no mesmo cargo ganham o mesmo salário na sua empresa?   

 

 

Foto: Olympics.org

 

Foi lindo, foi genial e foi pra pensar! Que essa Olimpíada deixe como legado uma mudança em nossa visão de Brasil, em nossa cultura da malandragem, em como tratamos nosso próprio povo e história, em valorizar a mulher e seu papel social e se ainda queremos deixar alguma coisa de planeta para nossos filhos (pois se pensarmos lá nos netos, não vai dar tempo!).

 

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