Cruise e Resort: de exclusividade e estratégia

8 Jun 2016

Tem-se escutado falar cada vez mais sobre esses desfiles, mas que já são eventos tradicionais na indústria da moda. E foi com a 'senhora internet' e a explosão da moda instantânea em redes como instagram e snapchat, além da transformação da indústria da moda em algo 24/7, que eles definitivamente viraram "pop". 

 

Quando lançadas há décadas atrás elas tinham como objetivo apresentar a clientes exclusivos e VIPs looks para suas viagens de férias - principalmente de verão - e normalmente nem chegavam aos pontos de venda das marcas. Hoje os desfiles Cruise e Resort são coleções especiais criadas pelas principais marcas de luxo que tem o papel estratégico de cobrir o período entre as temporadas das coleções principais lançadas das Semanas de Moda, e por isso se tornaram importantíssimas para manter as araras abastecidas de produtos, já que por serem lançadas em pronta entrega em meados de maio e junho, podem permanecer no ponto de venda até a chegada das coleções de outono/inverno em outubro e novembro. 

 

Gucci escolheu o Britpop com ar retrô como referência em desfile na Abadia de Westminster em Londres

Foto: Vogue 

 

A Dior também escolheu Londres para seu desfile com ar chá da tarde da realeza moderna 

Foto: AP Photo/Kirsty Wigglesworth 

 

Os fashion shows acontecem sempre num local diferente no mundo, e uma característica marcante é a de buscar referência na cultura local para a criação das peças. Nesta temporada tivemos pela primeira vez dois eventos acontecendo na América Latina: Chanel em Cuba e Louis Vuitton no Brasil, mostrando a tendência cada vez mais evidente das grandes marcas de conquistar de vez os mercados fora do eixo Europa / Estados Unidos.

 

Chanel no Paseo del Prado em Havana

Foto: getty images / harpers bazar

 

A Chanel inspirou-se na boemia e no clima retrô da ilha caribenha, que por ainda sofrer uma série de embargos econômicos parece viver estacionada nos anos 50 e 60. A escolha pelo país caribenho que ainda tem como regime econômico o socialista gerou uma série de discussões sobre até que ponto uma marca de alto luxo se apropriou da uma cultura local que nada tem a ver com seus produtos ou público e não trará conversa com a realidade local. 

 

Já a outra gigante francesa Louis Vuitton, escolheu dois grandes temas para inspiração que são o retrato do Brasil moderno: as linhas expressivas de Oscar Niemayer e a proximidade da realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Usando como cenário o Museu de Arte Moderna de Niterói, as peças da coleção apresentaram uma tendência esporte chic muito forte que combinava cores intensas com o visual urbano de curvas e linhas que são icônicos nos projetos do arquiteto brasileiro. 

 

Louis Vuitton em Niterói com o Pão de Açúcar ao fundo.

Foto: Urban Explore 

 

E o que isso tem a ver com meu negócio?

 

Clima: com temperaturas cada vez mais instáveis e variando de forma, as coleções intermediárias podem ser uma boa estratégia para movimentar o calendário de lançamentos da marca trazendo sempre novidades aos clientes.

 

Exclusividade e tendências: um número maior de coleções também pode oportunizar uma produção de peças menor em cada uma delas, dando exclusividade aos produtos e a marca. Não podemos esquecer também que existe uma tendência de comportamento de compra do AGORA - os clientes estão cada vez mais antenados em tendências e consumindo essa informação de forma muito veloz, e quem tiver produtos e novidades com certeza terá maior chance de conquistá-los.

 

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